Pitinga: amor com gosto de infância
- https://www.google.com.br/url?sa=t&rct=j&q=&esrc=s
- 2 de mar. de 2016
- 4 min de leitura

QUINTA-FEIRA, 5 DE SETEMBRO DE 2013
Fica a 5 horas da capital amazonense e tem a maior produtora de estanho refinado do Brasil. Poucos conhecem, outros nunca ouviram falar. Convido vocês a conhecer esse pedacinho especial do Amazonas em que passei 17 anos da minha vida.
Sem falar em dados técnicos e sobre a Mineração Taboca (links para informações no final), irei apresentar a Vila Pitinga com as minhas lembranças e o porquê dela ser tão especial.
Nasci e cresci nessa Vila. Sim, nasci! Hoje a estrutura não é a mesma e não se nascem mais crianças lá, mas antigamente o hospital era o mais capacitado para cuidar dos moradores. A vila é bem pequena e possui apenas uma unidade de cada coisa (creche, escola, hospital, clube, supermercado, praça de alimentação...). Divide-se em quatro bairros, em que a moradia era decidida por uma hierarquia (não sei como está essa divisão atualmente): Vilas A, B, C1 e C2. Além de alojamentos e o Staff para os trabalhadores que não têm família na vila.

Irmão, pai e eu. Pitinga, 1995. Foto: Pacheco
É abastecida por sua própria hidrelétrica e a mineração fica longe dos bairros. Para facilitar o transporte, temos ônibus em horários determinados, divididos entre aqueles que vão para a mina e o circular, que faz a rota entre os bairros. Se eu fechar os olhos consigo lembrar dessa rota inteirinha e me arrepender por ter preguiça de pegar este ônibus. Eles têm horário marcado, cadeiras acolchoadas e ar-condicionado. Já dá para imaginar o sofrimento que foi a transição para pegar transporte em Manaus? :/



Colégio Pitágoras. Pitinga, 2007. Foto: Raiza Lucena.
Pitinga, 2012. Foto: Leilane Bentes.
Vila A. Pitinga, 2009. Foto: Estava no automático, rs.
O melhor da minha infância, para mim, eram os clubes. No meu tempo eram dois: Clube A e Clube B. Atualmente o Clube A foi desativado e o B reformado para lazer. Eu, particularmente, gostava mais do Clube A. Era espaçoso, tinha três piscinas e uma variedade maior de quadras para se jogar. Então fim de semana era: pegar o circular das 3h, descer no A, tomar banho de piscina, pegar a bola de vôlei, opa enjoei, pegar a de basquete, não tá legal, pegar uma peteca e assim por diante, aproveitando todas as quadras. Descíamos no circular das 5h ou das 7h. Quando fiquei mais velha e ia apenas para jogar vôlei, descia no das 10h.
Se você tiver a oportunidade de ir em Pitinga (é meio burocrático por ser uma vila privada e estar em reserva indígena, então só entra com autorização), visite:
-Centro comercial (uma rua da C1 só para compras);
-Clube B;
-CEA (nem lembro o que significa, mas tem bromeliário, orquidário, e você pode levar mudas de árvores para plantar);
-Igarapé Perdigoto;
-A mina (não sei se ainda pode, mas existia um tipo de mini tour planejado para conhecer o processo);
-40 ilhas;
-Hidrelétrica (para quem gosta de pescar);
-Praça de alimentação com wi-fi (Juro! UAI FAI).
E:
-Dê uma volta de circular (conheça a vila em 30 minutos);
-Caminhe de manhã cedo, fim de tarde, noite...;
-Aprecie o verde;
-Entre na mata, mas não vá muito longe, têm onças!;
-Ande descalço na grama;
-Tome banho de chuva.
-Inspire todo o ar puro que puder.


Amanhecer. Pitinga, 2012. Foto: Lúcia Holanda.
Entardecer. Pitinga, 2012. Foto: Leilane Bentes.
Tomar banho de mangueira no gramado, roubar goiaba do vizinho, andar dois minutos para a casa de um amigo, jogar tacoball no meio da rua, futebol nos canteiros, desenhar uma amarelinha na calçada, deitar na cama e olhar o céu pela janela, subir nas árvores, fazer trilha na floresta escondida dos pais, invadir o clube na madrugada, andar de bicicleta, correr atrás do carro da fumaça, ir ao vizinho comprar din-din, insistir para o seu pai te levar no Perdigoto, almoçar na garagem com a família, passar a madrugada jogando UNO na garagem da amiga... Enfim, coisas simples que passaram, mas que ainda estão muito vivas na memória.
O bem que me fez: Pitinga foi o local que me fez crescer como pessoa, valorizar o verde e apreciar a tranquilidade, dar importância para pessoas (os meus melhores amigos ainda são os de Pitinga), aproveitar cada momento, porque tudo passa tão rápido. É um sentimento único, inexplicável, como se eu tivesse planejado o lugar.


Relembrando com as amigas. Pitinga, 2012. Foto: Neila Bauer.
Clube A. Pitinga 2012. Foto: Antônio Elton.
Um ano após vir para Manaus voltei à Pitinga para visitar. 12 meses longe achei tão pouco, mas voltei com outros olhos. Apreciei as paisagens, as casas, transporte, a minha adorada escola. Mas me senti vazia. E aí percebi que não importa o lugar em que você está, quem faz ele são as pessoas e essas pessoas estão bem aqui comigo. Infinitamente sempre vou amar esta vila e quero agradecer aos meus amigos Pitinguenses, que são os meus pedacinhos daquele lugar, são os que relembram comigo os momentos e que têm toda a vontade do mundo de mudar tudo o que está errado a nossa volta. Não tenho mais vontade de voltar, mas tenho uma vontade enorme de futuramente achar um lugar pequeno e tranquilo que me marque tanto quanto Pitinga me marcou.

Pitinga, 2009. Foto: Desconhecido.
Compartilhem suas memórias nos comentários!
Links para conhecer mais a vila:
Fotos
Mineração
Pitinga
Matéria Amazon Sat
Matéria Amazon Sat 2
POSTADO POR RAIZA LUCENA
Marcadores: amigos, amor, família, lugar, pitinga
Comentários