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Deputada gaúcha busca humanizar a política através da amamentação

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  • 28 de jul. de 2016
  • 3 min de leitura

Deputada gaúcha busca humanizar a política através da amamentação


No final do mês passado, a deputada gaúcha Manuela D'Ávila (PCdoB/RS) foi flagrada amamentando sua filha Laura, de 11 meses, durante a Comissão de Direitos Humanos da Assembleia.

A imagem acabou correndo o mundo e virou notícia em diversos países da América Latina e Europa, além da Índia, Japão e Nigéria.

Esta semana o assuntou voltou à tona. A deputada usou sua página no Facebook para comentar o caso e também para refletir sobre diferentes aspectos da maternidade após receber centenas de notificações de compartilhamento e citações da imagem.

No texto, Manuela diz que a filha "foi amamentada exclusivamente até os seis meses e, que mesmo agora, quando Laura já possui 11 meses, continua amamentando-a".

"Via de regra, a amamento ou no gabinete ou no banheiro. Busco um local em que ela se sinta acolhida. Aquele dia, porém, a comissão começou a se estender por pautas trazidas por mim. Ela mamou ali. E dormiu. todas as mulheres que são mães e amamentam ou amamentaram sabem que esse gesto é natural e espontâneo!”, escreveu a deputada.

Manuela também aproveitou para fazer uma reflexão dos porquês sua imagem amamentando ao lado da filha em um espaço de poder incomoda tanto.

"A política é masculina e machista, a política não tem espaço para as mulheres, a política não tem espaço para o que nos diferencia dos homens, a política não tem espaço para a ingenuidade e para a alegria das crianças, não tem espaço para a naturalidade com que conciliamos nosso trabalho e nossas lutas com nossos bebês. Levar Laura comigo tornou-se, sem que eu percebesse, uma forma de resistir a política que desumaniza", diz o texto.

Leia abaixo o depoimento completo:

Por que minha foto correu o mundo? Comecei a receber dezenas e depois centenas de notificações de compartilhamentos e citações de minha foto, amamentando a pequena Laura - que hoje completa 11 meses! - na Comissão de Direitos Humanos da Assembleia. Sites da América Latina, Europa, Índia, Japão, Nigéria.... Fiquei reflexiva sobre os porquês dessa foto chamar tanta atenção. Laura frequenta meu trabalho quando se faz necessário. Ela foi amamentada exclusivamente até os seis meses e eu tive quatro de licença. Ela segue mamando no peito - embora já se alimente - e é cuidada por mim e por meu marido. Quando está na Assembleia, via de regra, a amamento ou no gabinete ou no banheiro. Busco um local em que ela se sinta acolhida. Aquele dia, porém, a comissão começou a se estender por pautas trazidas por mim. Ela mamou ali. E dormiu. todas as mulheres que são mães e amamentam ou amamentaram sabem que esse gesto é natural e espontâneo! Porém, um dos fotógrafos da Assembleia (eles não creditam as fotos) teve a felicidade de bater a foto. O que chama atenção na foto em minha opinião? Mulheres em espaço de poder, crianças em espaços de poder, vida em espaços de poder. A política é masculina e machista, a política não tem espaço para as mulheres, a política não tem espaço para o que nos diferencia dos homens, a política não tem espaço para a ingenuidade e para a alegria das crianças, não tem espaço para a naturalidade com que conciliamos nosso trabalho e nossas lutas com nossos bebês. Levar Laura comigo tornou-se, sem que eu percebesse, uma forma de resistir a política que desumaniza. Recebi, também, críticas. deveria eu optar entre ocupar meu espaço e criar minha filha da forma que acredito (e que a organização mundial da saúde recomenda) amamentando-a? Eu deixei de concorrer a prefeita de Porto Alegre, numa eleição em que liderava todos os cenários, por julgar que nos primeiros anos minha dedicação à Laura deve ser ainda maior. Não deixei, porém, de ser militante e de lutar para transformar o mundo. sinto, aliás, ainda mais convicção da necessidade dessa transformação após o nascimento dela. Não quero que ela viva num mundo em que ministros fazem piadas machistas, em que políticos acham que levar o filho na escola é "notícia". Quero que ela viva num mundo em que uma mãe amamentar um filho não surpreenda. Para isso, a política precisa ser espaço de humanização e transformação. ❤️

Lei

Embora amamentar seja absolutamente normal e essencial para os bebês, o ato ainda causa constrangimento em uma sociedade conservadora como a nossa.

Em São Paulo, uma lei em vigor desde o ano passado prevê uma multa de R$ 500 a quem impedir a amamentação em público.

O projeto de lei foi proposto após uma mãe ter sido orientada a não amamentar seu filho em público no Sesc Belenzinho, na zona leste da capital, em 2013. A proibição gerou grande repercussão na internet e mães realizaram um "mamaço" nas instalações da unidade.


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