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Argentina terá greve de mulheres por assassinato de Lucía Pérez

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  • 19 de out. de 2016
  • 3 min de leitura

Argentina terá greve de mulheres por assassinato de Lucía Pérez


A jovem tinha 16 anos, foi drogada, estuprada, empalada com uma estaca e morta por traficantes. Países vizinhos também programam protestos

A crueldade de um crime chocou a Argentina, neste sábado (15/10). Lucía Pérez, de 16 anos, foi drogada, estuprada e morta por empalamento com uma estaca de madeira, no balneário de Mar del Plata. Os suspeitos do assassinato são de uma gangue de traficantes. Eles a raptaram quando a jovem saía da escola.

A morte de Lucía mobilizou lideranças femininas de todo o país, que convocam um levante de combate à violência de gênero. Nesta quarta-feira (19/10), a Argentina terá uma greve nacional de mulheres como forma de protesto. A organização “Ni una menos” convidou argentinas a paralisarem suas atividades de 13h às 14h. Outros países, como o Chile, aderiram ao ato e também convocaram greve.

“Com a raiva pelo feminicídio de Lucía en Mar de Plata, pelo ódio de uma mãe que mata sua filha lésbica, pelas adolescentes esfaqueadas em La Boca e com a repressão sofrida no Encontro Nacional de Mulheres em Rosário, chamamos a sair de nossos lugares de trabalho e de nossas casas na próxima quarta, às 13h, para visibilizar os feminicídios e a precarização da vida das mulheres”, publicou uma das organizadoras da manifestação Florencia Minici

A promotora responsável pelo caso, Maria Isabel Sánchez, informou à BBC que o corpo de Lucía foi deixado em um hospital de Mar Del Plata. O cadáver havia sido banhado e vestido com roupas, inclusive calcinha.

Nunca vi um conjunto de fatos tão aberrantes"

Maria Isabel Sánchez, promotora

Sánchez suspeita que Lucía conhecia um dos agressores. Dois suspeitos – Matías Farías, de 23 anos, e Juan Pablo Offidani, de 41 anos – foram presos no domingo na casa em que o crime teria ocorrido. A Justiça argentina pediu ainda a prisão preventiva de um terceiro suspeito.

A vítima, que cursava o quinto ano do ensino médio, era filha de uma família trabalhadora, que se mobilizou com milhares de moradores para exigir uma “condenação exemplar” aos assassinos.

A região onde o crime ocorreu tem registros de tráfico de mulheres. Com 600 mil habitantes, Mar del Plata é o município argentino com o maior número de condenações por exploração sexual, de acordo com informações da BBC.

Não podemos encarar casualmente o fato de que Lucía foi violada e morta em Mar del Plata, onde já se mataram mulheres impunemente para proteger as redes de tráfico de mulheres"

disse, em comunicado no Facebook, a ONG Ni Una Menos


No Brasil, o crime gerou perplexidade, apesar da falta de visibilidade do assunto na grande mídia. Nas redes sociais, a #niunamenos reuniu apoio aos protestos argentinos.




Mariana Bastos


Já faz um tempo que me sinto incomodada ao perceber o quanto o feminismo brasileiro é completamente apartado do que ocorre nos países vizinhos apesar das semelhanças de nossas lutas.

Vi muitas mulheres e páginas feministas compartilhando a grande manifestação na Polônia contra a lei do aborto, mas curiosamente nossa vizinha, Argentina, terá nesta quarta-feira uma mobilização maciça de mulheres, que está sendo solenemente ignorada por aqui.

Cerca de 300 organizações feministas e sindicais decidiram que farão uma greve de uma hora nesta quarta-feira, quando mulheres de todo o país devem sair às ruas vestidas de negro. O evento está sendo convocado pela hashtag #NosotrasParamos. Feministas chilenas e mexicanas também farão uma série de atos em solidariedade no mesmo dia em seus respectivos países

A mobilização foi convocada após o assassinato brutal da adolescente Lucía Perez, de apenas 16 anos, que foi vítima de um estupro coletivo e empalada até o coração depois de ter sido drogada por três homens em Mar Del Plata. A notícia chocou a Argentina, mas infelizmente não contou com a solidariedade brasileira. Até o momento, não vi nenhum grande veículo brasileiro ou página feminista relatando o ocorrido em português.

O #NiUnaMenos "convoca as mulheres a se vestirem de negro e a saírem às ruas para visibilizar a violência e o ajuste econômico que golpeia com mais força as mulheres". "Com a raiva pelo feminicídio de Lucía en Mar de Plata, pelo ódio de uma mãe que mata sua filha lésbica, pelas adolescentes esfaqueadas em La Boca e com a repressão sofrida no Encontro Nacional de Mulheres em Rosário, chamamos a sair de nossos lugares de trabalho e de nossas casas na próxima quarta, às 13h, para visibilizar os feminicídios e a precarização da vida das mulheres", convocou Florencia Minici, do #NiUnaMenos.

Toda minha solidariedade. Fuerza, hermanas.


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